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"Quando se ama, não é preciso entender o que acontece lá fora,
porque tudo passa a acontecer dentro de nós"


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2 de dezembro de 2009

amar , desamar, amar ?

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Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar ?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar , desamar, amar ?
sempre, e até de olhos vidrados, amar ?
Que pode, pergunto, o ser amoroso
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar ?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?


Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,

e uma ave de rapina.


Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.



Amar a nossa falta mesma de amor,

e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito,

e a sede infinita.


1 comentários:

Sônia Massini disse...

Olá querida passando aqui nesse espaço lindo pra lhe desejar uma tarde na doce paz.
Bj no ♥

 
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